Em manhãs chuvosas
costumo depertar telúrica
Terra é o elemento predominante em meu espírito
Tenho o passado que mora num latifúndio
Água penetrando a terra
é senha para os meus sentidos
Preciso invadir canteiros
Fincar os pés bem no fundo
do todo que lhe resta de chão
Sofrer transfusão de minerais pelo corpo inteiro
para viver minha experiência de árvore
Depois de manhãs chuvosas
preciso desculpar-me às plantas
pois para prestar conta aos antepassados
e render homenagem à infância
roubo-lhes muito da seiva
altero o ph de seu habitat
transformo-lhes a química
Cravo raízes por todo o jardim
Então, fico em dívida de alimentar a terra
adubar-lhe de volta o solo
e curar-lhe a anemia
porque quero devolver-lhe a sina
de engravidar as sementes
mesmo depois de mim
Nenhum comentário:
Postar um comentário