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domingo, 31 de julho de 2016

COMO DUAS CRIANÇAS

Ciranda, cirandinha
vem comigo cirandar
Você diz que já é tarde
para começar a brincar
Vou dar a volta sozinha
volta e meia eu vou dar
Quem sabe na próxima roda
você se anima a entrar?

sábado, 30 de julho de 2016

O OURIÇO E A ESTRELA DO MAR

 E contam que no início dos tempos eram eles somente dois bichinhos de corpo e alma moles, coabitando o fundo do mar, completamente à deriva nas intempéries da existência, à mercê de não terem vestes adequadas ante o risco iminente de permanecerem como duas células apenas, insignificâncias perdidas na imensidão de oceanos daqui ou de lá. É da natureza animal que por uma questão de sobrevivência cada um dos dois bichos tenha criado sua própria roupagem - armadura,  primeiro fazendo lama nas pedras, depois formando um lodo, depois juntando um limo e, por fim, criando espinhos no próprio corpo para, enfim, um virar um ouriço e o outro, uma estrela do mar. Por essas voltas que o mundo dá, uma onda bravia arrebentou numa rocha arremessando o ouriço bem no colo da estrela do mar. Pois não é da conta de nenhum cientista que um ouriço e uma estrela se tomem de encantamentos logo ao primeiro olhar, mas é da natureza da fantasia tratar de os tentar inventar. Sendo bichinhos da mesma cepa, nascidos do mesmo limo, um bem que tentou repousar no colo do outro mas, por culpa da natureza, há muitos espinhos e uma dura carcaça entre um ouriço e uma estrela do mar, embora um jure que não os tenha assim tão afiados e o outro ache que não se lhe seja tão cerrada a armadura. É da qualidade do tempo ir passando tão depressa quanto mudam as marés, então foi desse modo que uma onda gigantesca lambeu os dois novamente para o fundo dos oceanos, levando a cada um para canto de mar distante muitas e muitas milhas. Mas o que se sabe do ouriço e da estrela é que, ainda hoje, quando um faz um caminho deixa para o outro uma espécie de musgo, um rastro qualquer, porquanto dentro das entranhas deles haja uma memória ancestral de afinidades e afetos perdidos. É bem da natureza dos bichos.