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quinta-feira, 27 de outubro de 2016

PAR PERFEITO

Par perfeito
é quando
o encontro
de Um
com Outro

como resultado
uma soma
ímpar








terça-feira, 27 de setembro de 2016



 - Viver plenamente a vida não é só vivê-la. É convivê-la.

 - Não deixa de ser um exercício de fé não ter fé em coisa alguma.

 - A melhor resposta é, sempre, não ter medo da pergunta.

 - A verdade é a mentira que faz mais sucesso.



quarta-feira, 7 de setembro de 2016

CORREIO SENTIMENTAL

Quando
o melhor
de mim
não é
o suficiente
sendo eu
a remetente
faço
o que é
necessário
Protejo-o
do destinatário



segunda-feira, 5 de setembro de 2016

ALTER EGO

Tanto a psicologia
gasta de tempo
perguntando
se o amor da gente pelo outro
nao seria
uma mera utopia do Eu
tanto de tempo gasto meu
amando

terça-feira, 23 de agosto de 2016

RAZÃO


Eu também tenho um lado cartesiano
Aliás, eu tenho dois
Chico e Caetano

sábado, 20 de agosto de 2016

SOBRE O TEMPO

Não que eu não respeite
o ofício
do relojoeiro
O meu relógio
 é que não respeita
ponteiro



quinta-feira, 18 de agosto de 2016

CONTROLE

Ser inquebrantável
Gostar de ser
inquebrantável
Até mais
Sentir orgulho
de ser inquebrantável
Isso tem nome
e sobrenome:
um medo imenso
de se quebrar

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

PAZ E AMOR

Do que é calmo
eu gosto
O que é morno
eu passo

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

DUO

Querer
quem tenha consigo
em comum
o que não cabe
em retrato nenhum
Parece muito
quando se busca
mas é o Graal
quando se acha

terça-feira, 9 de agosto de 2016

FARDO

Quando dizer eu te amo
significa despejar uma tonelada de cimento
sobre os ombros de alguém
dificilmente o problema é da frase.
Mais certo que seja dos ombros,
despreparados.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

ÂNIMA

Nada
ou ninguém
há de passar por mim
sem antes cair
nas malhas
do meu Eterno

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

ESCOLHAS

Tentar achar
o caminho
é o começo
do caminho
Simplesmente
 imaginá-lo
ja é percorrer
metade dele
Não tentar
e sequer imaginar
o caminho
com certeza
é o fim

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

A POESIA

Um poeta não pode
matar a sua Musa
A Musa, sim
Pode desejar morrer
para o poeta
Mas a Musa não pode
é pedir ao poeta
que a mate
Isso seria um crime
de lesa-inspiração

domingo, 31 de julho de 2016

COMO DUAS CRIANÇAS

Ciranda, cirandinha
vem comigo cirandar
Você diz que já é tarde
para começar a brincar
Vou dar a volta sozinha
volta e meia eu vou dar
Quem sabe na próxima roda
você se anima a entrar?

sábado, 30 de julho de 2016

O OURIÇO E A ESTRELA DO MAR

 E contam que no início dos tempos eram eles somente dois bichinhos de corpo e alma moles, coabitando o fundo do mar, completamente à deriva nas intempéries da existência, à mercê de não terem vestes adequadas ante o risco iminente de permanecerem como duas células apenas, insignificâncias perdidas na imensidão de oceanos daqui ou de lá. É da natureza animal que por uma questão de sobrevivência cada um dos dois bichos tenha criado sua própria roupagem - armadura,  primeiro fazendo lama nas pedras, depois formando um lodo, depois juntando um limo e, por fim, criando espinhos no próprio corpo para, enfim, um virar um ouriço e o outro, uma estrela do mar. Por essas voltas que o mundo dá, uma onda bravia arrebentou numa rocha arremessando o ouriço bem no colo da estrela do mar. Pois não é da conta de nenhum cientista que um ouriço e uma estrela se tomem de encantamentos logo ao primeiro olhar, mas é da natureza da fantasia tratar de os tentar inventar. Sendo bichinhos da mesma cepa, nascidos do mesmo limo, um bem que tentou repousar no colo do outro mas, por culpa da natureza, há muitos espinhos e uma dura carcaça entre um ouriço e uma estrela do mar, embora um jure que não os tenha assim tão afiados e o outro ache que não se lhe seja tão cerrada a armadura. É da qualidade do tempo ir passando tão depressa quanto mudam as marés, então foi desse modo que uma onda gigantesca lambeu os dois novamente para o fundo dos oceanos, levando a cada um para canto de mar distante muitas e muitas milhas. Mas o que se sabe do ouriço e da estrela é que, ainda hoje, quando um faz um caminho deixa para o outro uma espécie de musgo, um rastro qualquer, porquanto dentro das entranhas deles haja uma memória ancestral de afinidades e afetos perdidos. É bem da natureza dos bichos.